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novembro 05, 2009

A obrigação de quem roubou e de quem administra a justiça

Continua o sábio Padre no Sermão do bom ladrão:

“não basta restituir tanto por tanto, senão muito mais que se furtou…(invoca São Tomás) entre a restituição e a pena há uma grande diferença; à satisfação da pena não está obrigado o criminoso, antes da sentença; porém à restituição do que roubou, ainda que o não sentenciem ou obriguem, sempre está obrigado.. Daqui se vê claramente o manifesto engano dessa pouca justiça, que poucas vezes se usa….
Prende-se o que roubou e mete-se em livramento. … O preso , tanto que se livrou da pena do crime fica muito contente, o rei cuida que satisfez à obrigação da justiça, e ainda se não tem feito nada, porque ambos ficam obrigados à inteira restituição dos mesmos roubos. O rei … faça as restituições por si mesmo pois eles não fazem nem hão-de fazer.

novembro 04, 2009

Que fazer a quem rouba? E a quem não actua ou actua mal?

O Padre António Vieira também responde:

Uma vez que é ladrão conhecido, não só há-de ser suspenso ou privado do ofício ad-tempus senão para sempre e para nunca jamais entrar ou poder entrar… o uso ou abuso destas restituições, ainda que parece piedade, é manifesta injustiça. … em vez de o ladrão restituir o que roubou no ofício restitui-se o ladrão ao ofício para que roube ainda mais. Não são essas as restituições pelas quais se perdoa o pecado, senão aquelas por que se condenam os restituídos, e também quem os restitui. Perca-se embora um homem embora já perdido, e não se percam os muitos que se podem perder, e perdem na confiança de semelhantes exemplos.

novembro 02, 2009

Corrupção e o Padre António Vieira

A natureza humana não terá mudado muito desde o Padre António Vieira e do momento em que escreveu o Sermão do Bom Ladrão. E o que há mais é outros “bons ladrões” que não aquele que o Padre nos fala. Em Espanha estimaram uma perda de 5biliões de Euros só devido à corrupção de faces ocultas mas poderosas. Aqui volta e meia, meia volta, mais um escândalo e com nomes repetidos alguns! Estaremos livres?

Segundo o Padre parece que não:

“Por mar padecem os moradores das Conquistas a pirataria dos corsários estrangeiros, que é contingente; na terra suportam a dos naturais que é certa e infalível …. O pirata do mar não rouba aos da sua república; os de terra roubam os vassalos do mesmo Rei em cujas mãos juraram homenagem. Do corsário do mar posso-me defender, aos da terra não posso resistir; do corsário do mar posso fugir, dos da terra não me posso defender…..o corsário do mar depende dos ventos, os de terra sempre têm por si a monção; enfim o corsário do mar pode o que pode; os de terra podem o que querem”

Que se faz com os que roubam e quais as consequências? O Padre também tem resposta (fica para a próxima)