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maio 28, 2009

Do Latex ao Silex


Podia ser uma consequência do resultado do jogo de bisca lambida, uma revelação das entranhas de uma galinha do campo, uma conjugação astral infeliz ou o capricho de uma mão cheia de búzios às cambalhotas. Podia ser uma infância infeliz, uma puberdade mal resolvida ou uma vida de ociosidade, depois de falhada a paixão da educação. Talvez sejam até todas as razões que motivam a cretinice continuada da Juventude Socialista. A verticalidade deu origem à horizontalidade e não há vocabulário para a descrever que não acabe no látex.

Agora é a distribuição de preservativos na escola que vai salvar o mundo das maleitas globais, das doenças de não sei quê, da saúde reprodutiva, da saúde pública e outras patetices tiradas de um contentor da história da intrujice moderna. Espera-se para breve na escola uns gabinetes em regime de cama quente para testar o material, umas cervejitas tamanho infantil para ensinar a beber com moderação e um quadro para swingers. Está proibido o pastel de nata, o caramujo, a Coca-Cola, a tosta mista, o chocolate e a pastilha elástica: arruínam a saúde.

Os pais agora não contam nada, as boas decisões estão cada vez mais no infalível Estado e nem sequer a Escola podemos escolher: trabalhamos, pagamos e calamos (uma escravatura moderna). Os valores morais que tentamos incutir nos filhos são espezinhados por uns iluminados sentados no parlamento e a liberdade vai-se esvaindo. Muitos destes "sentados" nem sabem bem como lá conseguiram chegar: levantam-se, sentam-se, chegam Segunda à tarde, saem Sexta de manhã, tiram férias de 3 meses, não sabem apontar no mapa a localização do Japão e consultam a conta bancária amiúde.

A política não é para tomar medidas pensadas com profundidade: o que interessa é causar espanto, mudar seja lá o que for, mandar uns palpites, chocar a populaça para ocultar falhanços em série, explorar casos excepcionais, ignorar o desastre da legislação já produzida ou remendar com nova ainda pior, calar as estatísticas que não interessam, realçar minorias e aberrações, fabricar desígnios, enfatizar o acessório, ignorar o essencial, culpar os outros, esticar os limites da paciência e no fim chamar os jornalistas para fazer figura. É a política espectáculo arredada da racionalidade, incapaz de analisar as consequências na sociedade que estão bem à vista de todos e a agudizar-se. Mais pobreza, mais drogados, mais violência –doméstica, companheiro, velhos, crianças- menos sucesso escolar, menos solidariedade, mais ....é o retrocesso ao Silex. Eyes Wide Shut.

fevereiro 07, 2009

Uma mira técnica … se faz favor!

A televisão podia ser um instrumento valioso para difundir cultura, conhecimento e valores. Infelizmente está muito longe de qualquer destes objectivos e limita-se a ser uma “cloaca máxima”.
Entre as degeneradas novelas para a juventude (que interferem na educação que os pais pretendem dar) até às inverosímeis novelas genéricas no horário nocturno, é difícil encontrar alguma coisa que valha zero+.

A par destas novelas criam-se umas estrelas refulgentes que depois exploram os filões da publicidade. O filão chega também para outros bípedes, quase todos com uma linguagem progre e carteira sempre com algum espaço vazio, que apadrinham as virtudes terapêuticas da carqueja ou da casca de laranja em infusão. Outros recomendam créditos que se pagam com língua de palmo. O que tem graça é que fazem isto sempre a rir. Não sei … a carteira fica mais composta já que não se vê outro destino para o dinheiro.

Vejamos como foi anunciado um programa do parzinho capitaneado pelo Sr. Goucha. Diz ela de uma carta recebida (tipo revista Maria):
- Uma rapariga com uma vida íntima fabulosa percebe que o companheiro se masturba.
Goucha, sempre sabedor e informado replica:
- A mim diziam-me que fazia mal aos ossos.

Mas logo de seguida vem outro problema.
-Um marido muito carinhoso mas que avança apenas com o vibrador (muito educativo sem dúvida).
Comenta Goucha, sempre com grande discernimento, talvez por ter bebido infusão de couve lombarda:
- Se calhar tem a vagina larga.
E ri-se muito para mostrar a frontaria branquíssima!!!! Mas ... ri-se de quê?

Percebemos agora a queda para a publicidade: tratar os ossos ou compor qualquer coisa que não fica bem na TV ou na revista rasteira.

Perante tanta elevação neste rectângulo de plasma, raios catódicos ou LCD, apetece lançar o televisor do 1º andar. Assim vai o mundo: não parece ter massa cinzenta mas viver das partes baixas e jogos de cintura.

janeiro 12, 2009

Equador ... muito quente (muita parra e pouca uva)



Não percebo como a filmagem do Equador saiu tão cara. Grande parte da "acção" passa-se num prostíbulo e consiste basicamente de rebolões, avanços e recuos ritmados e suspiros: ainda por cima a uma hora em que as crianças, sem educação sexual à altura do nível desta obra, não entendem tanto frenesim em tão pouco espaço. Estranho ainda não ter aparecido qualquer homossexual que agora é quase obrigatório nas novelas.

novembro 25, 2008

et voilá ...

Duas famílias desavindas e com ódios viscerais. Uns filhos com juízo outros uns palermas. Uma mulher apetecida por dois homens. Um homem apetecido por duas mulheres. Dois ou três triângulos amorosos. Pais que não sabem que o são e filhos que também não sabem quem são os pais. Um ou dois amores (quase impossíveis). Alguns ricos maus como as feras (outros nem tanto) e uns pobrezinhos mas muito limpinhos (outros nem por isso). Uns ricos que não se importam de ser pobres e alguns pobres que fazem tudo para ser ricos. Um ou mais segredos insondáveis até ao último momento. Pernas torneadas, saias curtas e decotes mínimos a mostrarem quase o máximo. Alguns tiros de pistola, despistes, escutas às portas e maquinações sucessivas. Algumas bofetadas, puxões de cabelo e imprecações. Amores que nascem, morrem com intrigas improváveis, mas renascem como as ervas daninhas. Golpes de alcova, de conta bancária, de negócios e outras agruras. Uma lésbica ou um homossexual com tremendos dilemas. Algumas imagens “deslumbrantes” e de “rara beleza” num “cenário paradisíaco”, sempre as mesmas, intercaladas. Uma música badalada. Super produções com extraordinários e únicos elencos anunciadas no fim de um qualquer telejornal et … voilá. Eis a pastosa novela televisiva portuguesa.