março 01, 2009

Medicina, procriação e Roda dos Enjeitados

Passou na TV uma reportagem sobre a procriação medicamente assistida. Milhares de casais lutam desesperadamente para ter um filho biológico. A mulher é especialmente sofredora tendo que se sujeitar a tratamentos dolorosos e caros mas muitas vezes inúteis. O apoio do Estado é pequeno. Durante a reportagem os médicos, que ganham bastante dinheiro com esta especialidade, não deixaram de dar uma alfinetada na Igreja Católica por esta reprovar certas práticas médicas que não respeitam o ser humano.

Mediante o número incrivelmente elevado centenas de milhares de casais com problemas de fertilidade constatamos que algo de horrível afecta a tão propalada “saúde reprodutiva”. Importa saber as razões profundas desta anormalidade: abortos anteriores, efeitos secundários da contracepção, … etc.

Por outro lado não irão estas práticas médicas de intervenção excessiva dar origem, quando bem sucedidas, a outras pessoas com os mesmos problemas? Ou seja a continuação do desgosto e da desilusão de não poderem procriar. Talvez a opinião da Igreja tenha um suporte lógico bastante mais humano que aquele que lhe atribuem.

Ironicamente bastantes casais rejeitam os filhos que conseguiram conceber abortando-os e são efectivamente auxiliadas pelo Estado neste objectivo. Este não realiza qualquer esforço para os demover e interrompe-se o desenvolvimento de um feto que tantos outros casais desejariam conceber.

A este estado de coisas chamam de progressismo, solidariedade, de igualdade de género e de liberdade mas não passa de uma tremenda hipocrisia e relativismo moral que grassa na nossa sociedade.

Ao visitar o Mosteiro de Arouca o cicerone apresentou-nos logo à entrada um espaço onde estava antigamente instalada uma roda giratória cilíndrica. Qualquer pessoa podia depositar anonimamente um bebé que não queria ou não podia criar: chamavam-lhe a Roda dos Enjeitados (dizem que inventada pelo Papa Inocêncio III mas agora mais higienicamente recriada pela Clínica dos Arcos e afins). Talvez com a mesma atitude pudéssemos salvar muitos milhares de vidas por um preço muito menor que aquele que o Estado empenha na procriação medicamente assistida e no financiamento do aborto e clínicas abortistas.

Também conheço casais que generosamente adoptaram e depois tiveram a felicidade de um filho biológico aparecer sem qualquer ajuda especializada. Um justo prémio sem dúvida.

5 comentários:

Margarida Pereira disse...

Isto pode parecer que não tem nada a ver, mas... gostava de saber a idade do meu amigo ecológico.
Coisas... (parece)

Lura do Grilo disse...

Entrado " entas". Até aparece mentira ...

Margarida Pereira disse...

Se entendo esse 'até parece mentira'...
Mas fiquei na mesma.
QuarEntas? CinqueENTAS? SessENTAS? SetENTAS?
:))))
Faz diferença. O ângulo de visão. Os conceitos. A raíz.
Do pensamento.

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Lura do Grilo disse...

Quarentas!! Ainda me vejo sentado na carroça com os pés a arrastar pelo chão e a brincar no campo. Ainda me lembro do cheiro de um caderno pautado novo na Escola primária, ainda ...