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setembro 16, 2011

Tempo de fazer contas à vida

Nos números da crise vinha um valor que me deixou curioso. Havia em Portugal cerca de 90 000 restaurantes ou seja cerca de um por cada 114 Portugueses.

Que significam estes números?

Vamos supor um pequeno restaurante com três trabalhadores: o proprietário, a cozinheira e o empregado de mesa. Vive-se de salário mínimo custando cada mês de salário 1200 Euros por trabalhador (sim! Impostos, 13º e 14º mês deve dar perto deste valor).

Por mês:
Salários: 3600 Euros
Despesas (Água, luz e gás): 1000 Euros
Aluguer do espaço e outras: 600 Euros
Total: 5200 Euros

A receita: Refeições por 12 Euros e 20% de lucro! Quantas? 2160! (cerca de 70 ao dia). Cada português vai ao restaurante cerca de 19 vezes por mês (claro há os emigrantes, turistas, etc).

O crédito quase de borla à casa, ao carro e às férias deu folga ao tuga que gastou o que lhe sobrava e muito mais que o que podia. Não se poupou! E os Estados viviam também desta ilusória prosperidade cobrando impostos generosos e gastando generosamente também.

Muita gente abandonou as actividades produtivas e partiu para o El-Dorado. Abriram lojas de roupas, de perfumes, de bijuterias e, claro, restaurantes, pastelarias, etc.

Ninguém se humilhava ao facto de passar férias em Portugal, não ir ao Algarve 15 dias e não ir ao restaurante.

Viveu-se "tre-chique" mas a coisa acabou como no milagre Gonçalvista: bancarrota generalizada.

Tempo de localizar a marmita, cozinhar em casa e adiar a compra de uns trapitos de marca ou do perfume novo.

Decorre um ajustamento doloroso!

julho 09, 2011

Restaurante falido

Um restaurante falido mesmo que abra com nova gerência não tem garantia de sucesso. Tem que melhorar os menus, introduzir alguns novos, receber o cliente com simpatia e ganhar nome pelo mérito dos resultados. O desempenho, que se espalha de boca em boca, têm mais resultado que a propaganda. Um prato mal confeccionado é ainda mais arrasador que o mesmo prato servido no restaurante anterior.

Quem está com um problema espiritual deve falar com o Pároco da Freguesia, quem tem problemas psicológicos deve ir ao psicólogo ou psiquiatra: eles podem dar conselhos e uma pancadinha nas costas.

Até agora o Governo limitou-se a cortar nas despesas em 20 ou 30 milhões e cortar 50% no subsídio de Natal em 14 meses de salário (em muitos países da Europa, Canadá, etc apenas há 13 salários e na Grécia havia 15).

A Moodys existe para, com base em múltiplos indicadores económicos, efectuar uma percepção de risco e informar os investidores: não dá pancadinhas nas costas, não entende de boas intenções e não se comove com choradeira. O negócio deles é números. Podem-se enganar? Podem.

Demonizar a Moodys pode fazer com que ela se venha a tornar ainda maior e mais importante se acertar nas suas previsões.

maio 22, 2011

Como pulgas a saltar de um cão morto

São as lojas de compra de ouro que se multiplicam como as conhecidas lojas dos 300 Escudos se multiplicaram. Este também é um retrato da falência.

abril 07, 2011

... não é a ...

A História repete-se? Se se repetir é o fim do Euro.

Portugal não é a Grécia (pelo especialista Jean Clude Trichet)

Portugal e Irlanda não se comparam à Grécia (pelo especialista Victor Constâncio)

Portugal não é a Irlanda (pelo especialista Klaus Regling , presidente do mega -ultra, super, extra, enorme, tamanho familiar- fundo criado para ajudar os países da zona Euro em dificuldade)

Espanha não é Portugal (outra especialista Helena Salgado - Ministra das Finanças de Espanha)

É a esta gente, na UE e dentro de cada país da UE, que está entregue o nosso destino. Já tentei beliscões, auto-bofetadas mas teimo em não acordar e continuar agarrado ao mesmo pesadelo.

dezembro 11, 2010

A Economia Subterrânea

Com a economia por terra, aterrada e aterrorizadora não admira que a Economia Subterrânea cresça. Mas não é só pelo aumento de impostos que ela cresce. É também pelo facto de haver uma crescente percepção que pagar mais impostos:

  • Não tem contribuído para melhorar os serviços públicos: saúde, justiça e segurança são um desastre;
  • Tem contribuído para criar e alimentar uma multidão sempre crescente de corruptos;
  • Tem servido para incrementar propaganda política (umas imagens de um pequeno almoço com um futebolista rico valem 700 000 Euros) e distribuir gadgets;
  • Tem servido para financiar abortos a pedido (uma, duas, três vezes) e não apoiar as famílias com filhos a cargo nem os mais idosos;
  • Tem servido para nos tirar a liberdade de opção na Educação dos Filhos pois agora as melhores escolas, na sua grande maioria privadas, ficam só ao alcance dos ricos. As públicas impingem modelos ideológicos e morais que repugnam a maioria dos pais e ajudam a perpetuar a pobreza material e espiritual. Cresce ainda a convicção do Estado controlar a vida dos seus filhos desde o momento da concepção (com muitas ajudas e facilidades para o nascimento não ocorrer) até à morte (assistida obviamente).
  • O contribuinte sente-se sujeito a dupla tributação: as explicações para colmatar o mau ensino, a consulta médica que nunca há, a cirurgia que não se consegue em tempo útil, as propinas que o bom aluno tem de pagar no ensino superior enquanto outros sem rendimento escolar (ano após ano) são generosamente subsidiados.

Torpedear o fisco já quase não é um crime. É cada vez mais um acto de rebelião não violento do contribuinte e talvez  a única maneira de obter a verdadeira Justiça Social que lhe é devida.

outubro 16, 2010

O Criador

O criador tinha um plano e o projecto bem feito:

  • No 1º Dia: Ofereceu ao Povo o aborto. Parte do Povo festejou efusivamente a sua aprovação com mais entusiasmo que num arraial Minhoto. Estava aberto o caminho para a modernidade com "as melhores práticas europeias". Tudo à borla, uma duas, três ... n vezes e um mês de férias por prémio. O dinheiro era farto.
  •  No 2º Dia: Um Povo assim não podia entrar na modernidade sem uma Educação moderna. Meninos de computador debaixo do braço, muito quadro interactivo e uma escola pública tão gratuita que se pode repetir uma duas, três vezes ... tudo à borla. Trabalho de estudo ... isso é que não. E se a falta de tempo era problema então havia um Diploma enquanto Diabo esfrega um olho: eram Novas Oportunidades. O Povo rejubilou. O dinheiro era farto.
  • No 3º Dia: Mas a responsabilidade exigida aos alunos tinha que se transpor para o casamento a nome da felicidade dos adultos e de resolver tudo de forma simples e sem culpa quando "o amor acaba". Veio então o Divórcio igualmente de borla e higiénico beneficiando quem transgride, não cumpre e tem o poder económico da família na mão. Parte com alforria para outras tropelias e deixa os filhos à segurança social na parte económica e ao semi-abandono na parte afectiva. O dinheiro era farto.
  • No 4º Dia: Mas claro há os do mesmo sexo que também queriam o estatuto do casamento tradicional embora sejam mais estéreis que duas pedras da calçada. E o país modernizou-se com esta palhaçada das grinaldas em cima dos barbudos e subsídios de casamento. Mudar de sexo é agora mais fácil que mudar a residência da Carta de Condução. O dinheiro era farto.
  • No 5º Dia: Mas uma sociedade tão moderna tinha que ter o seu painel solar no telhado a produzir energia e vender 6 vezes mais cara que o que compra e eólicas na paisagem a fazer dinheiro do vento que passa.  Para percorrer o atapetado asfáltico de duas ou três autoestradas paralelas um carro eléctrico dava jeito: silencioso e limpo como um bisturi. Era o deslumbramento. Andam dezenas de construtores  com experiência de décadas a tentar construir um carro eléctrico viável? Andam, mas o Governo é que sabe fazê-los. O dinheiro era farto.
  • No 6º Dia: De repente o dinheiro falta. O Povo (quase) cai em si: a energia sobe, a saúde é muito cara, os encargos com os desempregados disparam, os medicamentos sobem, oportunidades nem novas nem velhas, emprego não existe e lá fora desconfiam que não tencionamos pagar ou que não o poderemos fazer em breve. Como manter este Estado tão moderno mas sem dinheiro? Assaltar o bolso dos que ainda trabalham de uma forma brutal: salários, redução de abatimentos no IRS, aumento do IRS e do IRC, aumento do preço dos alimentos, cobrança de portagens em todos os percursos não esburacados. Para quê? Para manter as Utopias anteriores. O dinheiro ainda é farto em todos e o apetite por ele é sibarita.
  • No 7º Dia: Não descansou nem nos vai deixar descansar tão cedo.

abril 29, 2010

O estivador

Aquele-cujo-nome-não-se-pode-pronunciar mas anda nas bocas do mundo foi a semana passada, ou coisa que o valha pois a cena é sempre a mesma apenas mudando o local, inaugurar o início de mais uma obra a terminar daqui a uns quantos anos. Obra que faz avançar Portugal e "pela primeira vez" "como nunca se tinha feito antes". Desta vez foi um porto: daqueles onde devem aportar barcos.

Afirmou altivo e empinado qual peixe-espada que "Gosta do ambiente dos portos, da atmosfera dos portos, sempre gostou de portos".

Portugal vai morrer assim: como um barco abandonado num porto. Mas quanto falta para embarcar este "esquivador" e já agora o competente técnico que só vai subtraindo ao que resta? Sobe a rampa com Passos largos: Eu agradeço.